{"id":432,"date":"2018-05-02T17:53:32","date_gmt":"2018-05-02T17:53:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cercitop.org\/www\/?page_id=432"},"modified":"2018-05-08T08:58:05","modified_gmt":"2018-05-08T08:58:05","slug":"a-nossa-historia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.cercitop.org\/www\/a-nossa-historia\/","title":{"rendered":"A Nossa Hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p><strong>A Hist\u00f3ria da CERCITOP,CRL<\/strong><\/p>\n<p><strong>Na Primeira Pessoa<\/strong><\/p>\n<p>Tinha apenas 16 anos quando a 15 de Mar\u00e7o de 1988 comecei a trabalhar no escrit\u00f3rio de um Col\u00e9gio privado cujo \u00e2mbito era prestar apoio a crian\u00e7as, jovens e adultos com defici\u00eancia mental profunda e multidefici\u00eancia. Lembro-me de ficar muit\u00edssimo entusiasmado pelo facto de trabalhar e de poder contribuir, embora de forma indireta, no apoio a pessoas muito dependentes cujo destino quis que nascessem assim ou que ficassem assim ap\u00f3s alguns meses ou anos de vida. No fundo, sentia no meu trabalho uma enorme utilidade e significado, ao contr\u00e1rio de outras experi\u00eancias profissionais curtas que tive desde os 15 anos.<\/p>\n<p>Naquela altura havia uma gigantesca escassez de equipamentos de apoio social\/sa\u00fade (ainda hoje h\u00e1 falta apesar de haver uma oferta muito maior), a legisla\u00e7\u00e3o era menos rigorosa e as condi\u00e7\u00f5es de apoio a esta popula\u00e7\u00e3o com defici\u00eancia n\u00e3o eram t\u00e3o boas quanto s\u00e3o hoje. A t\u00edtulo de exemplo os quartos de internamento eram com beliches. No entanto, e neste Col\u00e9gio em particular, o apoio prestado era considerado bom e existiam adequados procedimentos de higiene, era no fundo um Col\u00e9gio de refer\u00eancia apesar dos anos a fio com sal\u00e1rios em atraso e dificuldades financeiras \u2013 resultado de uma forma de funcionar baseada numa legisla\u00e7\u00e3o errada, retr\u00f3grada e que infelizmente ainda hoje persiste em parte, fruto de algo que se tornou banal na sociedade portuguesa que \u00e9 precisamente n\u00e3o se legislar bem, n\u00e3o se cumprir a lei (sobretudo por parte do Estado) e da m\u00e1quina p\u00fablica n\u00e3o funcionar corretamente, demasiadamente parecido com aquilo que \u00e9 t\u00edpico num pa\u00eds do chamado terceiro mundo.<\/p>\n<p>Passados uns anos da minha entrada no Col\u00e9gio, mud\u00e1mos de instala\u00e7\u00f5es duas vezes. Um ano de transi\u00e7\u00e3o para Oeiras e depois em definitivo para Sintra. Infelizmente foi uma mudan\u00e7a sempre para pior, sem qualquer tipo de condi\u00e7\u00f5es de funcionamento para a tipologia da popula\u00e7\u00e3o que o Col\u00e9gio atendia. Em simult\u00e2neo a propriet\u00e1ria do Col\u00e9gio, que sofria de diabetes, come\u00e7ou a perder as suas faculdades f\u00edsicas; deixou de ver, de ouvir e perdeu-se assim a sua lideran\u00e7a. O funcionamento do Col\u00e9gio decaiu imenso, a juntar \u00e0s m\u00e1s instala\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, e deixou assim de prestar um bom servi\u00e7o aos seus utentes. Por diversas vezes tentei sair do Col\u00e9gio e procurar emprego noutras empresas, inclusive concorri (num processo que demoraria 2 anos) a Inspetor Adjunto do Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).<\/p>\n<p>Alguns pais e colegas (aqueles que verdadeiramente se preocupavam com o funcionamento do Col\u00e9gio) tentaram sempre que eu n\u00e3o sa\u00edsse pois diziam que apesar de tudo eu conseguia, atrav\u00e9s da minha influ\u00eancia e constante preocupa\u00e7\u00e3o, manter padr\u00f5es m\u00ednimos de funcionamento e temiam que com a minha sa\u00edda piorassem. Acabei por ter algumas oportunidades de sair, uma delas para uma grande empresa farmac\u00eautica portuguesa, mas o cora\u00e7\u00e3o falou sempre mais alto e acabei sempre por ficar.<\/p>\n<p>Tentei criar eu pr\u00f3prio um col\u00e9gio privado para poder ser uma alternativa \u00e0queles jovens e adultos (tamb\u00e9m algumas crian\u00e7as) mas n\u00e3o consegui pois a legisla\u00e7\u00e3o exigia habilita\u00e7\u00f5es ao n\u00edvel do ensino, as quais eu n\u00e3o tinha.<\/p>\n<p>Entretanto, fruto do mau funcionamento, o Governo de ent\u00e3o criou uma comiss\u00e3o interministerial para analisar a situa\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio com vista ao seu encerramento. Tarefa muito dif\u00edcil pois como referi anteriormente a oferta era muito pouca e n\u00e3o havia vagas onde colocar v\u00e1rias dezenas de utentes.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que me reuni com algumas colegas e pais de utentes (os que verdadeiramente se preocupavam com o funcionamento e bem estar dos utentes) e lancei o desafio de criarmos uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que pudesse ser uma alternativa aos utentes do Col\u00e9gio. Iniciei este processo quando tinha apenas 25 anos de idade.<\/p>\n<p>Pedimos uma reuni\u00e3o \u00e0 Fenacerci, que nos autorizou a usar o nome Cerci e nos disponibilizou o apoio do seu advogado para nos ajudar a constituir uma cooperativa. Era para se chamar CerciSintra mas como o nome era parecido com uma outra cooperativa j\u00e1 existente no concelho, o nome acabou por ficar CerciTOP (Todo o Pa\u00eds) traduzindo logo tamb\u00e9m a minha inten\u00e7\u00e3o de que desde o in\u00edcio os nossos estatutos cobrissem todo o territ\u00f3rio (incluindo ilhas), ao contr\u00e1rio do que era e \u00e9 usual nestas organiza\u00e7\u00f5es, ou seja, os estatutos cobrirem somente a regi\u00e3o onde se localizam.<\/p>\n<p>A CERCITOP,CRL foi constitu\u00edda com muito esfor\u00e7o e muito custo; desde logo alguns dos pr\u00f3prios fundadores n\u00e3o acreditavam que pudesse ter sucesso mas l\u00e1 fizemos a constitui\u00e7\u00e3o jur\u00eddica em Fevereiro de 1998. Importa referir que algumas das pessoas que fizeram parte deste processo inicial colocaram muito do seu pouco dinheiro (para fazer face \u00e0s despesas de abrir uma empresa) pois viviam com diversos meses de sal\u00e1rios em atraso e nunca \u00e9 demais louvar esta coragem e determina\u00e7\u00e3o. Para angariar alguns fundos particip\u00e1mos em duas campanhas do pirilampo m\u00e1gico (1998 e 1999) onde mais uma vez algumas pessoas se dedicaram e tiraram dias de f\u00e9rias para o efeito, e pedimos alguns donativos a empresas.<\/p>\n<p>Costumo dizer que a CERCITOP abriu por telefone. No dia 29 de Julho de 1999 recebo um telefonema por parte de uma diretora de departamento da Seguran\u00e7a Social de Lisboa a pedir que a CERCITOP estivesse a funcionar no dia 1 de Setembro do mesmo ano com instala\u00e7\u00f5es para acolher 12 jovens em Lar Residencial (LR) e 13 jovens em Centro de Atividades Ocupacionais (CAO) sendo 12 deles comuns \u00e0 Resid\u00eancia. Isto \u00e9, 33 dias para encontrar instala\u00e7\u00f5es, equip\u00e1-las e contratar colaboradores. Uma tarefa herc\u00falea tendo em conta que ainda n\u00e3o t\u00ednhamos instala\u00e7\u00f5es, que em regra as f\u00e1bricas encerram no m\u00eas de Agosto, que a maioria das empresas est\u00e1 a laborar nos m\u00ednimos devido ao gozo de f\u00e9rias do pessoal e ainda proceder ao recrutamento e sele\u00e7\u00e3o dos colaboradores. Parecia tarefa imposs\u00edvel. Como costumo dizer, se acreditarmos muito em algo, unirmos esfor\u00e7os e formos determinados, conseguimos quase tudo. E o que \u00e9 facto \u00e9 que conseguimos mesmo. No dia 1 de Setembro est\u00e1vamos a funcionar com os nossos colaboradores em casa emprestada (para onde os utentes do col\u00e9gio foram transferidos temporariamente durante o m\u00eas de Agosto) \u2013 da CerciLisboa (a quem agrade\u00e7o) e no dia 6 de Setembro nas nossas instala\u00e7\u00f5es em Sintra (que \u00e9 a data em que comemoramos o anivers\u00e1rio da CERCITOP,CRL).<\/p>\n<p>O M\u00eas de Agosto foi de um trabalho gigantesco por parte de todos para conseguir p\u00f4r tudo de p\u00e9. Setembro foi igualmente um m\u00eas muito dif\u00edcil. Trabalhei 16 a 18 horas por dia todos os dias do m\u00eas sem folgar. Fazia de motorista, tratava da documenta\u00e7\u00e3o, das compras, de tudo um pouco. Mont\u00e1mos placas \u00e0 beira da estrada, debaixo de chuva, com pais dos nossos utentes, entre outras coisas que poderia aqui contar mas n\u00e3o o fa\u00e7o para que o texto n\u00e3o se torne demasiado longo.<\/p>\n<p>Duas notas ainda que julgo serem importantes registar. Uma \u00e9 que no dia 29 de Julho de 1999 me demiti com justa causa por motivo de sal\u00e1rios em atraso de forma a ter direito ao subs\u00eddio de desemprego. Isto permitiu-me durante 9 meses trabalhar voluntariamente para a Cercitop e poupar assim um sal\u00e1rio \u00e0 institui\u00e7\u00e3o pois todos os escudos contavam. Refiro isto pois apesar de algumas exce\u00e7\u00f5es, a maioria das pessoas que trabalha nesta \u00e1rea f\u00e1-lo por paix\u00e3o e n\u00e3o pelos sal\u00e1rios baixos que recebem. A outra nota \u00e9 que sempre segui o cora\u00e7\u00e3o e \u00e9 realmente enorme a paix\u00e3o de trabalhar nesta \u00e1rea pois na mesma semana que a CERCITOP abriu recebi uma carta do tal concurso a que concorri no SEF a informar-me que fora admitido. Desisti assim de um lugar seguro no Estado e assumi o risco e o compromisso de fazer crescer a CERCITOP. Ainda hoje estou convencido que a CERCITOP n\u00e3o teria aberto se o Governo tivesse encontrado alternativa para as dezenas de jovens que frequentavam o Col\u00e9gio. Mas como n\u00e3o havia alternativa arriscaram e logo num teste de fogo, n\u00f3s e a Cercip\u00f3voa ficamos com os casos mais dependentes e mais problem\u00e1ticos em termos comportamentais.<\/p>\n<p>Desenvolvemos um excelente trabalho, reconhecido por todos ao longo dos anos e merecemos a confian\u00e7a de todos, em particular da Seguran\u00e7a Social, a quem agrade\u00e7o.<\/p>\n<p>Sempre entendi, e verbalizo-o imensas vezes, n\u00e3o somos obrigados a crescer mas temos o dever moral de o fazer. E podemos crescer em diversas \u00e1reas e n\u00e3o apenas naquela que inici\u00e1mos o funcionamento. Entendo que uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos deve operar na \u00e1rea social\/sa\u00fade\/educa\u00e7\u00e3o ou outras que surgirem sem qualquer receio pois deve olhar \u00e0 volta, sobretudo na regi\u00e3o onde est\u00e1 inserida, e procurar ir ao encontro das necessidades das pessoas. Infelizmente a CERCITOP teve enormes dificuldades financeiras no seu in\u00edcio e correu mesmo o risco de encerrar mas conseguimos ultrapassar as dificuldades com o apoio de diversas entidades, entre as quais a C\u00e2mara Municipal de Sintra, a Junta de Freguesia de Santa Maria e S\u00e3o Miguel, a pr\u00f3pria Seguran\u00e7a Social, entre outras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o a Cercitop come\u00e7ou a crescer em diversas \u00e1reas, muito por for\u00e7a da nossa pro atividade mas tamb\u00e9m sobretudo da enorme necessidade de apoio social que existia no concelho de Sintra \u2013 o qual cresceu muito rapidamente em termos demogr\u00e1ficos e as estruturas n\u00e3o estavam preparadas para tal, havia assim quase tudo por fazer.<\/p>\n<p>Come\u00e7amos com o apoio domicili\u00e1rio a idosos (sendo ainda hoje a maior institui\u00e7\u00e3o do concelho nesta \u00e1rea), crescemos ainda mais em CAO e LR, inici\u00e1mos os apoios nas escolas, a Interven\u00e7\u00e3o Precoce, abrimos uma cl\u00ednica totalmente privada (para com os lucros das receitas cobrir os preju\u00edzos resultantes das receitas do Estado). Mais tarde abrimos uma Unidade de Cuidados Continuados Integrados (UCCI) nas mesmas instala\u00e7\u00f5es para onde transferimos dois dos nossos CAO e 2 dos nossos Lares num espa\u00e7o pertencente \u00e0 Ordem Hospitaleira S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus \u2013 Casa de Sa\u00fade do Telhal a quem tanto agradecemos do cora\u00e7\u00e3o e que, juntamente com uma parceria tamb\u00e9m de um arrendamento de cozinha e refeit\u00f3rio ao Sporting Clube de Lourel (que foi a primeira parceria de todas) nos permitiu dar um grande salto; o que demonstra que as parcerias s\u00e3o o melhor que pode haver em sociedade, pois em conjunto todos fazemos e conseguimos muito mais.<\/p>\n<p>Foi depois com a abertura, em Maio de 2011, da segunda UCCI que nos torn\u00e1mos a maior cooperativa de solidariedade social de Portugal, isto tudo conseguido em apenas 11 anos e meio de trabalho. Muitas pessoas me perguntam qual o segredo de tanto crescimento e sucesso. J\u00e1 expliquei referindo as necessidades de Sintra, a nossa pro atividade, falta referir as pessoas. S\u00f3 nos rodeando de boas pessoas do ponto de vista humano e profissional \u00e9 que conseguimos excelentes resultados e elas s\u00e3o o segredo do sucesso pois sozinho ningu\u00e9m faz grande coisa.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o continu\u00e1mos a crescer abrindo mais um LR, aderimos ao desafio da Seguran\u00e7a Social para o apoio nas Cantinas Sociais e estamos a desenvolver projetos para apostar nestas e noutras \u00e1reas de que a popula\u00e7\u00e3o portuguesa em geral e a sintrense em particular necessita.<\/p>\n<p>Alter\u00e1mos recentemente os estatutos para cooperativa multissectorial com o intuito de abarcar outras \u00e1reas de atividade, de forma a criar neg\u00f3cios privados que possam dar lucro e compensar o facto de o Estado pagar \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos abaixo do custo de funcionamento. Abrimos um operador tur\u00edstico e ag\u00eancia de viagens (sobretudo para criar e desenvolver servi\u00e7os de turismo para pessoas com defici\u00eancia), expandimos a cl\u00ednica (cuja principal actividade \u00e9 a reabilita\u00e7\u00e3o), temos alvar\u00e1 de transporte de passageiros e de aluguer de viaturas (principalmente a pensar no transporte de pessoas em cadeiras de rodas) e a \u00faltima novidade consiste em gerirmos um SPA de um hotel de 5 estrelas em Sintra muito virado para o turismo de sa\u00fade. Ou seja, crescer em neg\u00f3cios privados mas todos eles ligados \u00e0 nossa \u00e1rea e sempre com uma preocupa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>E espero que a hist\u00f3ria da CERCITOP continue para sempre, focada no seu principal objetivo que \u00e9 prestar cuidados de excel\u00eancia a pessoas com qualquer tipo de depend\u00eancia, tendo a capacidade de se transformar consoante as evolu\u00e7\u00f5es que as sociedades sofrem, sem nunca esquecer que as pessoas que cuidamos devem ser o nosso enfoque, bem como as suas fam\u00edlias e tamb\u00e9m as pessoas que aqui trabalham, as quais devem ter boas condi\u00e7\u00f5es, boas ferramentas de trabalho e um sal\u00e1rio digno, devendo ser recompensadas o mais poss\u00edvel por este trabalho magn\u00edfico &#8211; mas muito cansativo e desgastante &#8211; mas tamb\u00e9m muito recompensador pelo facto de todos fazermos a diferen\u00e7a na vida das pessoas que apoiamos e das suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p><b>Jos\u00e9 Bourdain<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A Hist\u00f3ria da CERCITOP,CRL Na Primeira Pessoa Tinha apenas 16 anos quando a 15 de Mar\u00e7o de 1988 comecei a trabalhar no escrit\u00f3rio de um Col\u00e9gio privado cujo \u00e2mbito era prestar apoio a crian\u00e7as, jovens e adultos com defici\u00eancia mental profunda e multidefici\u00eancia. 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